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  • Claudia Prieto Neisa

Finados - 6 Livos para Falar de Morte com seus Filhos


Hoje é Dia de Finados e meu filho ontem assim que lembrou que hoje seria feriado me falou: - Mamãe, sabia que amanhã é feriado porque é Dia dos Mortos????

E eu: - Verdade filho!! (Não assim naturalmente, mas literalmente com aquela cara “azulzinha” do emoji de boca aberta, meio que sem reação, tentando encontrar uma continuidade digna para a conversa com esse “poço de sabedoria” que meu filho estava se tornando.

Então perguntei: - Filho, exatamente o que significa Dia dos Mortos???

Ele tranquilamente: - Ué, quando um vilão morre, todos comemoram que ele não vai mais atrapalhar.

Por dentro eu ri muito, achei muito fofa a inocência e sentei juntinho dele e comecei a dizer que infelizmente não são só os vilões que morrem, que todos nós ficaremos velhinhos um dia, muuuuuito velhinhos, e que depois de ter vivido muitas coisas, ter feito filhinhos e ganhados netinhos, trabalhado muito chega a hora de descansarmos e o Papai do Céu escolhe a melhor hora para que cada um descanse.

Senti que entendeu, mas não concordou muito com essa possibilidade, e como nessa fase eles pensam muito no “eu” acho que pensou que demoraria muito pra ele ficar velhinho, então pra ele, tudo bem, não projetou essa história nos avós.

Bom, por enquanto a história acabou aí, vamos ver como lidará com isso ao longo do tempo, afinal morte é um assunto que todos nós temos tanta dificuldade de falar com naturalidade.

Eu fiquei curiosa sobre esse assunto de como lidar com o assunto morte com as crianças e fui dar uma pesquisada, quando encontrei em uma edição da Revista Crescer dicas de alguns livros infantis que falam de morte com os pequenos leitores, achei muito interessante trazer essas dicas pra vocês:

"O Anjo da Guarda do Vovô (Jutta Bauer, Cosac Naify) Uma linda história de despedida entre avô e neto. No hospital, o idoso conta sua vida, suas aventuras, as dificuldades pelas quais passou. Em cada página, o leitor pode ver um anjo da guarda salvando o avô, desde quando era menino, das enrascadas e perigos em que se metia. Até que a cama do hospital fica, finalmente vazia, e o neto é que agora aparece sendo seguido por um anjo da guarda. Independentemente das crenças, é uma história bonita e bem-humorada para falar sobre como uma geração sucede a outra, deixando para trás a memória de uma vida."

"É Assim (Paloma Valdivia, Edições SM) Há aqueles que chegam e aqueles que vão. Os que hoje chegaram, um dia também partirão. Pode ser o peixe da sopa de ontem, o gato do vizinho ou a tia Margarida. “Nós, que aqui estamos, choramos pelos que partem. É bonito lembrar. Nós, que aqui estamos, nos alegramos com aqueles que chegam. Damos a eles boas-vindas, gostamos de celebrar”. É dessa forma simples que a autora chilena explica o nasce-e-morre da vida. Gosto muito dessa simplicidade sem rodeios e sem mistérios, mostrando que tudo faz parte do ciclo da vida."

"O Coração e a Garrafa (Oliver Jeffers, Salamandra) A menina era como todas as outras garotas curiosas de sua idade: gostava de olhar para as estrelas, para o mar e para tudo o que fosse novo. E perguntar. Um dia, a cadeira do homem mais velho que sempre estava com ela em suas descobertas apareceu vazia. Provavelmente era seu avô, que havia morrido. A menina, então, insegura com a perda, decidiu colocar seu coração dentro de uma garrafa, um lugar longe de qualquer perigo. Mas, com o tempo, ela deixou de ser curiosa e de prestar atenção em um monte de coisas. Até encontrar com uma criança que era curiosa como um dia ela já tinha sido. E vai precisar colocar seu coração no lugar. Essa narrativa poética mostra como podemos ficar tristes, e que isso leva um tempo, mas que o lugar do coração é mesmo batendo no peito,"

"O Pato, a Morte e a Tulipa (Wolf Erlbruch, Cosac Naify) Ainda hoje me emociono toda vez que leio este livro. Tem poesia, tem tristeza e tem beleza. E tem essa coisa que se chama morte e que nos acompanha desde que nascemos... Certo dia, o pato vê uma caveira andando atrás dele. É a morte. Ele já não ia bem, mas não queria morrer naquele momento. Ela, então, explica que sempre esteve por perto, para o caso de algum acidente, uma gripe forte ou algum improviso. Eles vão passar juntos as últimas semanas de vida do pato e travar diálogos maravilhosos, como este:"

"Mas por quê??! A História de Elvis (Peter Schössow, Cosac Naify)

A menina esbraveja, precisa gritar ao mundo “Mar por quê??!”. Por onde passa, atrai curiosos para sua demonstração de indignação. Até que, finalmente, ela conta que Elvis está morto, mas não o cantor, seu passarinho. Os amigos, então, providenciam seu enterro e vivenciam com ela esse momento de luto e tristeza, mas também de boas lembranças. Uma leitura que mostra que todo luto merece ser vivido, esbravejado, mas que, no fim, o que fica são as boas memórias. Este livro me marcou muito, pois mostra para o leitor que, sim, ele pode extravasar toda a dor e que precisa passar por esse momento de tristeza, mas que tudo fica bem no final."

"Para Onde Vamos Quando Desaparecemos? (Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Tordesilhinhas) Este é um livro cheio de perguntas que nos fazem refletir e de conceitos para filosofar sobre o tempo, sobre o que é aparecer e desaparecer, sobre a finitude da vida e da existência. Para desaparecer, algo precisa ter aparecido primeiro para alguém. Algumas coisas desaparecem em um dia para aparecer no outro, como o sol. Outras, como as meias, caso apareçam, será sempre em um lugar inacreditável. Até as rochas desaparecem. Fato é que nada dura para sempre. E, nós, para onde vamos? Paramos em lugares improváveis como as meias? Vamos para o céu como a água da poça? E quem fica, fica com o quê? Uma série de perguntas difíceis de responder! É daqueles livros que plantam sementinhas na cabeça da gente e que, para as crianças, mostra como tudo desaparece na vida – às vezes para reaparecer em outro lugar."

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