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  • Dra. Lara Soares (Colunista)

Alergia à Proteína do Leite de Vaca - Meu filho tem??


A alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) é a alergia alimentar mais prevalente em crianças, atingindo cerca de 2% a 3% delas nos primeiros 3 anos de vida. Apesar de frequente, sua variedade de manifestações clinicas e particularidades podem tornar difícil o diagnóstico gerando confusões no tratamento e ansiedade aos pais.

Os principais fatores de risco para a APLV são a genética (filhos de pais alérgicos são mais propensos a desenvolver o problema) e a exposição precoce às proteínas do leite de vaca. Como o sistema imune do bebê ainda está se desenvolvendo, a probabilidade de as proteínas serem encaradas como algo nocivo e, em consequência, uma reação alérgica ser desencadeada, é maior.

Dessa forma, as crianças que se alimentam de fórmulas infantis, têm o risco aumentado de desenvolver alergia pela exposição precoce. Em menor número, também as crianças amamentadas ao seio materno podem desencadear alergia devido a passagem de proteínas ingeridas pela mãe para o leite materno. Daí o organismo inicia a produção de células inflamatórias e/ou anticorpos específicos (IgE) para combater as moléculas invasoras, desencadeando um processo alérgico.

Os sintomas são bastante diversos e podem ser caracterizados por alterações gastrointestinais tais como vômitos, diarreia ou constipação intestinal, dor abdominal, refluxo gastroesofágico e sangramento nas fezes. As crianças acometidas também podem apresentar alterações cutâneas como urticária, angioedema, dermatite atópica, bem como alterações respiratórias como asma e broncoespasmos recorrentes, até mesmo a anafilaxia, uma reação alérgica grave que exige cuidados imediatos. Esses sintomas podem vir em conjunto ou isoladamente e suas manifestações tem relação com o mecanismo desencadeador da alergia, sendo mais imediatos aqueles que envolvem a formação de anticorpos contra as proteínas do leite.

A partir de um histórico de sintomas e correlação familiar, quando se pensa em APLV, o principal diagnóstico e tratamento envolve a exclusão de leite e derivados da dieta, inclusive de cosméticos e medicamentos que contenham proteínas do leite de vaca. Os testes alérgicos também podem ser uma ferramenta de auxilio, mas é mais importante que a criança apresente uma melhora sintomática após exclusão de leite e derivados da dieta.

Para os bebês amamentados no seio materno a orientação é manter amamentação e excluir leites e derivados da dieta materna. Para os bebes que usam fórmulas infantis, até os seis meses de idade, é recomendado que usem fórmulas especiais com proteínas hidrolisadas, ou seja, quebradas em moléculas menores as quais descaracterizam as proteínas integras para o sistema imune. Em alguns casos, é necessário inclusive a adição de leite constituído apenas de aminoácidos.

As fórmulas a base de soja podem ser utilizadas como primeira opção de tratamento para lactentes maiores de 6 meses de idade em alguns casos, mas vale lembrar que as reações adversas a essa leguminosa ocorrem entre 10% e 35% dos pacientes com APLV. Assim como o leite, a soja é rica em proteínas, que podem ser encaradas como uma ameaça pelo sistema imune ainda imaturo do bebê.

O tratamento é considerado eficaz quando desaparecem os sintomas desencadeadores através de uma dieta correta. Após a melhora, os pacientes devem ser acompanhados pelo especialista até o retorno gradual do leite na dieta. A maioria dos pacientes tem melhora espontânea até os 5 anos de idade.

Por fim, é importante lembrar que alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) não é sinônimo de intolerância à lactose. A intolerância à lactose é relacionada à diminuição da produção da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose, um açúcar do leite. A não digestão da lactose, não tem relação com mecanismo alérgico e pode gerar distensão abdominal, dor abdominal e diarreia osmótica. Cabe ao pediatra de acompanhamento avaliar cada caso para definir o melhor diagnóstico e tratamento.

Dra. Lara Soares

Pediatra

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