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  • Dra. Lara Soares (Colunista)

Febre Amarela - Da Origem à Vacina


De uma doença pouco falada em algumas regiões do país para a principal moléstia infecciosa do ultimo ano, a febre amarela ressurgiu em estados como São Paulo como um problema de saúde pública, alvo de estudos, campanhas, dúvidas e boatos que muito afligem a população e, principalmente, as mamães de plantão. O objetivo desse artigo é trazer as principais orientações atuais da doença, de acordo com o Ministério da Saúde.

O que é

Trata-se de uma doença infecciosa febril aguda, não contagiosa, provocada por um vírus transmitido por mosquitos, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre, quando há transmissão em área rural ou de floresta, e urbano. Ou seja, é importante salientar que ela não transmite de pessoa para pessoa, nem de macaco para pessoa. A transmissão para o homem acontece apenas através do mosquito contaminado. Os principais mosquitos de transmissão são o conhecido Aedes, no ciclo urbano e as espécies Haemagogus e Sabethes que são encontrados no ciclo silvestre.​

Sintomas

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os sintomas iniciais da febre amarela incluem o início repentino da febre, dores musculares em todo o corpo, calafrios, dor de cabeça severa, dor nas costas, dores de corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. A maioria das pessoas melhora poucos dias após estes sintomas iniciais. No entanto, cerca de 10-15% das pessoas terão um breve período de horas a um dia sem sintomas, seguido do aparecimento de uma forma mais grave da doença. Em casos graves, os indivíduos apresentam febre alta, icterícia (a pele e as mucosas ficam de coloração amarelada), sangramentos (especialmente do trato gastrointestinal), e, eventualmente, choque e falência de múltiplos órgãos. Aproximadamente 20-50% das pessoas que desenvolvem as formas graves de febre amarela não conseguem sobreviver.

Por isso, vale lembrar aos pais que se trata de uma doença potencialmente grave, com chance de letalidade até maior do que doenças como a meningite bacteriana. Como as doenças virais, seu tratamento é de suporte, ou seja, de controle dos sintomas e assistência em uti se necessário.

Então, o melhor tratamento é a prevenção! Prevenir viagens às áreas endêmicas, uso de repelentes e barreiras protetoras da ação dos insetos e a vacinação são a maneira mais eficaz de controle da doença.

A Vacina

A vacina atual é de vírus vivo atenuado, assim como outras vacinas presentes no nosso calendário vacinal, como sarampo, caxumba, rubéola e varicela, ou seja, nossas crianças já recebem esses tipos de vacinas de rotina. As únicas contraindicações se referem aos grupos de risco, ou seja, menores de 6 meses ou idosos, presença de doenças que causem imunossupressão, como HIV, neoplasias, quimioterapia, imunodeficiência primaria, uso prolongado de corticoide e pessoas com alergia comprovada a ovo.

Para os demais a indicação é a vacinação. Os bebês devem ser vacinados com 9 meses, sendo que de 6 a 9 meses apenas em casos de epidemia. Se a criança ou familiar já se vacinou com a dose padrão, hoje a orientação é que a imunização está garantida para a vida toda. Se a vacinação for de dose fracionada, uma nova vacinação deve ser feita em 8 anos. Nesse caso, a dose fracionada confere imunidade eficaz no período orientado e foi utilizada para controle de surto nos locais em que a disponibilidade da vacina não é suficiente para atender a demanda necessária.

Outra orientação importante é não vacinar a febre amarela junto com a vacina tríplice ou tetra viral, garantindo pelo menos 30 dias entre as doses. As mamães gestantes ainda não vacinadas têm contraindicação à vacinação, exceto por indicação numa região de risco epidêmico. Para as mães em amamentação, é necessário suspender o aleitamento por 10 dias nos bebês menores de 6 meses. E por fim, aos vacinados, os efeitos colaterais são leves e envolvem mal-estar, prostração e picos febris isolados nos primeiros dias após vacinas. As reações graves são bem raras e devem ser notificadas nos locais de referência.

São varias as pequenas orientações e particularidades. Por isso, converse com seu pediatra para as recomendações caso a caso. Espero ter ajudado!

Dra. Lara Soares

Pediatra

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