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  • Dra. Lara Soares (Colunista)

Doença Mão, Pé e Boca - Do contágio à Cura


Basta visitar um pronto socorro ou creche nos últimos meses que a tão temida doença mão pé boca aparece como um dos assuntos mais falados.

Como outras doenças virais, as chamadas “viroses” são bastante contagiosas, principalmente em locais aglomerados de crianças como creches, escolas e shoppings e podem se apresentar em surtos, acometendo famílias e grupos escolares inteiros.

Trata-se de uma doença viral aguda e autolimitada, geralmente acometendo crianças até os 5 anos, causada pelo vírus Coxsackie da família dos enterovírus. Essa família de vírus habita normalmente o sistema digestivo, e pode causar esta e outras doenças como a estomatite e casos raros de miocardite e meningite viral.

A transmissão acontece pelo contato direto entre as pessoas ou com as fezes, saliva e outras secreções, ou então através de alimentos e de objetos contaminados. E é importante destacar que mesmo depois de recuperada, a pessoa pode transmitir o vírus pelas fezes durante aproximadamente quatro semanas.

Quando o vírus é transmitido, pode demorar de 3 a 7 dias para aparecerem os primeiros sintomas. Geralmente, antes de aparecer as lesões, as crianças iniciam com febre alta e evoluem ao longo de 1 a 3 dias com aftas em cavidade oral levando a dificuldade para se alimentar e dor ao engolir e salivação. Apresentam também bolinhas vermelhas ou bolhas na planta dos pés e na palma das mãos, podendo se disseminas para braços, pernas e nádegas. São lesões pequenas, em geral menor que 1 cm, com um halo vermelho ao seu redor e não causam dor ou coceira. Outros sintomas associados são diarreia, vômitos, coriza, tosse e gânglios aumentados.

O diagnóstico é clinico, não necessitando de exames complementares. O tratamento deve ser feito com sintomáticos para amenizar os sintomas e auxiliar a criança a retornar com a alimentação e hidratação e melhorar o estado geral. A melhora total dos sintomas acontece em torno de 7 dias, mas, como já falado, não podemos esquecer que a transmissão do vírus pelas fezes pode perdurar por 4 semanas, por isso as medidas de higiene são essenciais.

Nosso principal remédio contra a doença é a prevenção. Então é fundamental a lavagem correta das mãos das crianças e cuidadores nas refeições, ao usar o banheiro, troca de fraldas e manuseio de objetos sujos; cobrir boca e nariz ao contato com tosse e espirros; evitar lugares pouco ventilados ou com aglomerados de pessoas.

Para as creches e escolas é ideal manter um bom sistema de ventilação; higiene das mãos com álcool 70% dos profissionais; uso de sabonete liquido e secagem das mãos com papel toalha; limpeza de superfícies como bancadas, colchonetes, travesseiros e brinquedos diariamente com álcool 70%; uso de material de higiene pessoal individual e afastamento das crianças com doença ativa.

Dra. Lara Soares

Pediatra


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