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Imunização na Gestação (Dra. Carla Celestrino Arca)


A gestação é um período de oportunidade para atualizar seu cartão vacinal, visando a proteger a saúde da mãe e do bebê também, por passagem de anticorpos através da placenta.

É recomendado, no entanto, que você planeje sua gestação com antecedência para que possa fazer exames gerais, incluindo sorologias para determinadas doenças (hepatite B, rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, HIV e outras) para determinar a quais doenças você é imune, seja porque já tomou a vacina respectiva ou porque entrou em contato direto com o agente causador da doença.

Isso é importante para que alterações futuras nos exames não sejam mal interpretadas e possam dar um diagnóstico correto, caso haja uma infecção na gestação, e também reflete o estado vacinal da pessoa, o que permite planejar a tomada das vacinas. Além disso, existem vacinas que não são recomendadas durante a gestação, e caso você ainda não seja imune àquela doença, vai precisar tomar antes de ficar grávida e aguardar um período de 1 a 3 meses para engravidar.

A segurança das vacinas na gestação está ligada ao tipo de imunização que ela oferece. A vacina pode ser feita de vírus vivo atenuado, ou seja, contém a partícula causadora da doença em sua integridade, porém modificada em laboratório para que seja suficiente apenas para desencadear reação e memória no nosso sistema imunológico e não causar doença. São exemplos desse tipo de vacina: BCG, febre amarela, dengue, varicela e sarampo/caxumba/rubéola (tríplice viral). 

Tais vacinas não são recomendadas durante a gestação, pelo fato de apresentarem vírus vivo, ainda que enfraquecidos e em pequena quantidade. 

Essa medida visa a proteção do feto contra uma possível infecção. No entanto, existem relatos de casos de vacinação inadvertida de mulheres que não sabiam estar gestantes e o acompanhamento dos casos pós vacina em geral não demonstrou alterações significativas. Então, caso você tenha tomado alguma dessas vacinas enquanto estava grávida, avise seu médico porém saiba que os riscos são baixos e não há motivo para pânico. 

Outros tipos de imunização são as vacinas de vírus inativado ou morto, que são aquelas em que o patógeno não tem capacidade de causar doença por estar desativado, servindo apenas como ‘modelo’ para que nosso sistema imune o conheça e o combata no futuro. Exemplos dessas vacinas são: influenza (gripe), hepatite A e B, dupla adulto (difteria e tétano), tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche) e etc. São vacinas seguras, de modo geral, e que podem ser aplicadas na gestação.

Também podem ser aplicadas na gestação as imunizações passivas, como as imunoglobulinas ou soros, que são anticorpos prontos contra determinado agente, como o soro anti-rábico, a imunoglobulina anti-varicela e outras. São imunizações transitórias (não geram memória imune), indicadas em caso de exposição acidental a algum patógeno específico e danoso.

De uma forma geral, a gestante ou a mulher que pretende gestar, deve ter, em sua caderneta vacinal, as seguintes vacinas e doses:

- Hepatite B – 3 doses. Se não estiver completo, completar durante a gestação, respeitando o intervalo de aplicação no esquema 0-1-6 meses.

- Tríplice bacteriana ou dupla adulto – 3 doses. Se o esquema estiver completo, a gestante deve tomar apenas a dTpa a partir da 20a semana, de modo a proteger o feto e futuro recém-nascido da coqueluche. Se não tiver as três doses, deve tomar uma de DT e a dTpa após a 20a semana, sendo respeitado o intervalo de pelo menos um mês entre elas.

-Influenza / Gripe – dose anual, deve ser aplicada na campanha vacinal para todas as gestantes. Contra-indicada em pessoas com alergia severa à proteína do ovo.

Outras em situação específica - vacinas que podem ser administradas, dado o risco avaliado da paciente e a situação vacinal da mesma: hepatite A duas doses (0-6 meses), febre amarela, pneumocócica, meningo B e meningo conjugada. Não devem ser administradas: HPV, varicela, dengue e tríplice viral, sendo que sua indicação para a administração deve ser reavaliada na consulta puerperal (pós-parto).

Na dúvida, converse com seu médico na consulta de pré natal, levando sua carteira de vacinação. Sempre planeje uma consulta pré gestacional (de aconselhamento do casal que deseja engravidar) e uma consulta de pós-parto, na qual também deverá ser revista sua carteira de vacinas e recomendadas aquelas que eventualmente você deixou de tomar ou não pode tomar na gestação. 

Dra. Carla Celestrino Arca 

Obstetra e Ginecologista formada pela UNICAMP


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