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  • Dra. Carla Celestrino Arca

Tipos de Parto


A gestação é uma etapa importante e, na maioria das vezes, desejada e feliz na vida da mulher. Logo que sabemos do 'positivo' começamos a pensar em nomes, quartinho, roupinhas e muitas outras coisas legais, mas tem uma coisa super importante na qual geralmente deixamos pra pensar muito mais tarde, mas que deveria ser pensada desde o começo: O PARTO

É importante que a gestante e seu acompanhante pesquisem e conversem sobre isso durante toda a gestação e consultem seu médico, mesmo que não seja ele ou ela a pessoa que estará presente no parto. O momento do pré natal é importante para tirar dúvidas e se esclarecer melhor sobre o que seria mais indicado para você e seu bebê.

Então vamos lá: existem basicamente duas vias de parto, a vaginal e a abdominal, que é a cesariana. Dentro delas podem existir algumas “variações” e vamos falar brevemente disso a seguir.

Parto cesariana

É uma cirurgia abdominal feita para extração fetal.

O Brasil é um dos países com mais altas taxas desse procedimento, o que em partes se deve à praticidade de escolha do dia, hora e com que médico o bebê vai nascer, além de evitar a dor e o longo trabalho de parto, temido por muitas mulheres. Há também uma sensação maior de segurança no procedimento.

A indicação médica de cirurgia pode ocorrer antes do momento do parto, como placentas baixas que ocluem o colo do útero, fetos que estejam transversos (não estão sentados nem de cabeça pra baixo) e frequentemente em outros casos, como fetos pélvicos (sentados), gemelaridade com primeiro feto não cefálico, feto com peso estimado de mais de 4 kg, cesáreas de repeitação e doenças maternas graves descompensadas. No trabalho de parto a indicação pode aparecer na suspeita de sofrimento fetal ou quando não há progressão do trabalho de parto apesar das manobras de correção.

No entanto, as altas taxas de cesárea não se devem só a esses casos, mas também ao direito de escolha da gestante. A Resolução do CFM nº 2.144/2016 e o Parecer do CFM nº 37/2016 garantem o direito de escolha pela cesárea da parturiente, que nos casos sem complicação pode ser feita a partir de 39 semanas de gestação, para tentar alcançar uma boa maturidade pulmonar fetal. A cesárea a pedido deve ser combinada com o pré natalista e a gestante deve assinar um termo de consentimento que explica os riscos do procedimento.

Como toda cirurgia, carrega consigo os riscos próprios de hemorragia, lesão de órgãos abdominais, infecção de ferida operatória e reações adversas anestésicas. Em comparação com o parto normal, por exemplo, apresenta maior taxa de morbimortalidade materna e fetal, taxa essa que varia com a condição clínica da paciente (doenças pré-existentes ou gestacionais, cirurgias anteriores e outras) e também com a saúde e maturidade do bebê. Podemos esperar, também, maior tempo de recuperação, maior dificuldade de interação mãe - bebê nos primeiros minutos de vida, maior risco de trombose e embolia e maior dor pós parto.

A longo prazo, dificulta um próximo parto vaginal, já que limita os métodos de indução de trabalho de parto. Também enfraquece a parede muscular uterina, o que pode aumentar o risco de rotura da mesma num próximo parto (esse risco aumenta com o número de cesáreas), pode fazer com que a placenta se insira mal no útero e leva às aderências, que também são causa de dor.

Para o bebê, pode aumentar as taxas de desconforto respiratório e não é isento do risco de trauma de parto, que pode ocorrer na abertura da cavidade uterina.

Parto vaginal

Parto normal. Tipo de parto através do qual o bebê nasce pelo canal de parto vaginal.

Trata-se de um longo processo, com a fase latente (processo mais longo, com contrações espaçadas, e que levam ao início da diltação - até 4 cm - e amolecimento e afinamento do colo) e a fase ativa, que é aquele trabalho de parto mais 'visível' e geralmente mais acelerado e dolorido. Termina no expulsivo, quando a dilatação é total (10 cm) e após a descida do bebê, ele nasce.

É o parto recomendado para a maior parte das gestantes, seguro para 85% das parturientes, segundo a OMS (organização mundial da saúde). Sabemos que atingir esse índice pode não ser fácil e talvez ele não seja tão real nos dias atuais, mas ainda assim o ideal é haver um meio termo entre os índices atuais e o da OMS.

Dentro do parto vaginal fala-se ainda sobre o parto fórceps, que tem sua utilidade nos casos de sofrimento fetal (abreviação do período expulsivo), alívio materno, doenças em que mãe não pode fazer muita força (doenças cardíacas graves, por exemplo) ou correção de 'erros' de posição do bebê na bacia, que estejam dificultando seu nascimento. O parto fórceps, se bem feito, é seguro para a mãe e para o bebê e se trata de um recurso à disposição, não sendo feito de rotina, e sempre tendo analgesia (anestesia para alívio da dor) e com consentimento e esclarecimento.

E o parto humanizado, o que é?

É aquele parto adequado, conversado, que respeita as decisões do casal e discute com eles possibilidades, esclarece dúvidas e alia o nascimento respeitoso àquilo que chamamos de medicina baseada em evidências, ou seja, informações e condutas provenientes de estudos científicos de grande qualidade feitos com milhares de pessoas buscando respostas para as questões médicas da atualidade, e que embasam todo o raciocínio e atuação do médico atualizado. Não se trata, então, apenas do parto domiciliar, sem anestesia, na banheira ou coisas do tipo. Pode ser o parto normal no hospital, pode ser até o parto cesárea, que foi feito por necessidade ou escolha da mulher, dadas a ela todas as informações necessárias para que ela decidisse isso.

Esse cuidado humanizado se estende ao pós parto, quando a equipe que atende ao parto adia, se possível, os cuidados com o recém nascido (pesar, medir, vacinas e outros) e o deixa no colo da mãe na primeira hora de vida, estabelecendo o chamado contato pele a pele.

Procure discutir suas dúvidas com o pré natalista, frequente grupos de gestante, pesquise e se informe. Se optar pelo parto normal, converse com seu médico, procure apoio de uma equipe que conte com outros profissionais que possam auxiliá-la no processo de trabalho de parto. Se optar pela cesárea, converse com seu médico sobre a possibilidade de fazer o contato pele a pele no intraparto, faça uma consulta com o pediatra ainda na gestação e converse sobre os cuiados de sala de parto com o recém nascido. Sua gestação merece esse planejamento.

Dra. Carla Celestrino Arca

Médica formada pela UNICAMP (2008-2013)

Obstetra e Ginecologista formada pelo Hospital da Mulher CAISM UNICAMP (2014-2016)

*Foto: Google (fotógrafa Francine Pires)

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