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Infertilidade - Quando e Como Investigar?


A dificuldade de engravidar é um assunto delicado e sensível para as famílias envolvidas, mas precisa ser discutido porque o tempo e a procura do profissional e dos exames adequados o quanto antes é fundamental. Postergar o diagnóstico e o tratamento prejudicam o futuro reprodutivo e o resultado do tratamento.

Infertilidade é a ausência de gestação após 12 meses de tentativas do casal, sem que esse esteja usando métodos anticoncepcionais, ou ausência de gestação após 6 meses de tentativa no casal cuja mulher tenha idade maior de 35 anos. Essa definição se dá porque sabemos que cerca de 85% dos casais tentantes conseguem obter uma gestação em até 12 meses, a uma taxa de cerca de 20-25% de fecundidade a cada mês. Em dois anos de tentativa, a taxa de sucesso sobe para cerca de 95%, o que nos deixa com uma quantidade de pelo menos 5% de casais que mesmo em dois anos de tentativa não conseguem engravidar espontaneamente.

Essa definição também se aplica ao casal que já tenha filhos, tanto da atual união quanto de parceiros anteriores.

Devido à frustração e sofrimento que essa espera pode gerar, além da ansiedade, fator que atrapalha bastante o ciclo menstrual da mulher, as associações de medicina reprodutiva recomendam a investigação a partir dos 12 meses de infertilidade ou 6 meses se a mulher tiver idade maior de 35 anos, a fim de identificar precocemente casais que possam ter obstáculos reais na fertilidade, avaliar o tipo de problema e para que o tratamento dirigido seja instituído precocemente, o que, além de aumentar as chances de sucesso, pode fazer com que o casal possa iniciar seu tratamento por métodos de menor complexidade, mais simples e de custo menor.

A investigação deve ser feita no casal – homem e mulher, pois as causas podem ser tanto femininas quanto masculinas. Em geral, temos uma estatística de cerca de 35% de causas femininas de infertilidade, 8% masculinas e 35% de causas em que ambos tem fatores de infertilidade. Além dessas causas, também temos a infertilidade sem causa aparente, gerando cerca de 15% dos problemas para engravidar e uma parcela pequena de pessoas que acaba engravidando durante o processo de avaliação e investigação.

Nas mulheres, as causas mais comuns de infertilidade tem relação com a ovulação (20% dos casos) e alterações nas trompas por infecção ou endometriose (15%). Inicialmente precisamos de exame físico e história médica do casal bem feita, a fim de levantar suspeitas e direcionar os exames.

No entanto, existe um protocolo ‘básico’ de exames a que a maioria dos casais será submetida. São eles: - Homem: espermograma - Mulher: histerossalpingografia (radiografia contrastada das trompas), dosagens hormonais (FSH, LH, progesterona, estrógeno, prolactina, hormônio anti-mulleriano, TSH) Em alguns casos, outros exames podem ser pedidos, como ultrassonografia pélvica, sorologias do casal, laparoscopia e histeroscopia diagnóstica, entre outros. É importante realizar todos os exames para que se defina a causa de infertilidade e para que se institua um tratamento adequado.

As possibilidades de tratamento, hoje, variam bastante e tem melhores chances de sucesso. São divididos em métodos de baixa complexidade (precisam de menos aparato científico e tendem a ser mais baratos) e de alta complexidade.

Baixa Complexidade

  • Inseminação Artificial: trata-se da técnica de induzir a ovulação com medicamentos e acompanhar com ultrassonografia e, no período correto, injetar na cavidade uterina o sêmen do parceiro ou do doador, que foi avaliado e tratado em laboratório.

  • Coito programado: pode-se fazer ou não a indução da ovulação e aí acompanhamos com ultrassom a época da ovulação para recomendarmos que o casal tenha relações sexuais nesse período.

Alta Complexidade

  • Fertilização in vitro (FIV): após a estimulação ovariana medicamentosa, são coletados oócitos (óvulos) dos folículos maduros, que são fertilizados em laboratório com sêmen do companheiro ou doador. O embrião resultante é transferido para o útero, podendo ser um ou mais, a depender da idade materna.

  • Injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI): procedimento que pode ser realizado na FIV, onde um único espermatozóide é injetado diretamente dentro do núcleo do oócito maduro.

A escolha do tratamento depende do tempo e da causa da infertilidade, sendo que os métodos de baixa complexidade, em geral, dependem que se tenha trompas e espermograma normais, pois usam as vias naturais de fecundação.

Para saber qual método é mais adequado, o casal deve procurar o quanto antes o médico ginecologista especialista em infertilidade. O tempo é crucial para o bom resultado do tratamento.

Dra. Carla Celestrino Arca

Médica formada pela UNICAMP (2008-2013)

Obstetra e Ginecologista formada pelo Hospital da Mulher CAISM UNICAMP

(2014-2016)

*Foto: Google

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