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  • Dra. Carla Celestrino Arca

Amamentação – O Preparo Necessário


O mês de agosto já é consagrado pelas discussões sobre a amamentação, assunto importante de ser debatido devido às baixas taxas de aleitamento materno exclusivo no país e ao impacto que isso pode ter na saúde materna e infantil. O objetivo não é “recriminar” ou julgar quem não pode amamentar. Sabemos que a maioria das mulheres deseja amamentar, mas por essa ser uma atividade um tanto difícil, nem todas podem.

É importante se preparar, ainda na gestação, para essa tarefa. Ao contrário do que muito se orientou no passado, não recomendamos mais usar conchas para ‘formar o bico’ do seio, passar buchas vegetais nas mamas nem nada parecido. Você pode apenas tomar um pouco de sol em casa de manhã e à tarde, cerca de 15 minutos, com as mamas descobertas, para deixar a pele mais preparada. No entanto, o maior preparo que você pode ter é pesquisar os benefícios da amamentação pra você e seu bebê e refletir se você deseja amamentar, conversar com sua família e se preparar para o possível desafio, assim como nos preparamos para enfrentar as dificuldades de um parto (normal ou cesárea) e os primeiros meses do bebê.

Pode ser que você tenha a sorte de ser uma das mamães abençoadas com uma amamentação fácil e tranquila, mas caso isso não aconteça, é necessário que se saiba bem o que se deseja e o porquê deseja, para que você se mantenha firme apesar de alguns contratempos que possam surgir.

São benefícios da amamentação para a mãe: recuperação pós-parto mais rápida, redução do risco de depressão pós-parto, perda maior de peso pós-parto, anovulação (efeito contraceptivo), redução do risco de câncer de mama, endométrio e de ovário, redução do sangramento pós-parto, redução do risco de osteoporose e de doenças cardiovasculares (hipertensão, diabetes, colesterol alto, etc) e economia de dinheiro, já que deixaremos de gastar com leite artificial e aparatos para preparar e administrar o mesmo, além da praticidade de o leite estar sempre pronto e na temperatura ideal para o bebê.

Já as dificuldades encontradas no processo são muitas: a técnica inicialmente difícil, a insegurança se estamos fazendo corretamente ou não, a falta de apoio, o retorno ao trabalho e as complicações da amamentação são os principais motivos para o desmame precoce.

Então o que você pode fazer para melhorar sua chance de ter sucesso?

Vamos a algumas dicas:

1) Saber que o processo não é fácil, ter expectativa realista, ser confiante e desejar amamentar já ajuda bastante

2) Procure um pediatra em quem você confie e que seja promovedor da amamentação, que saiba avaliar e orientar o processo, pois sabemos que é normal que o bebê demore uns dias para aprender a mamar, perca peso nos primeiros dias de vida, chore muito nos primeiros meses… e tudo isso pode ser normal e não ser sinal de ‘leite fraco’ ou de insucesso na amamentação

3) Tenha em mãos telefones de consultoras de amamentação (como a Carol @consultorianananenem ) e enfermeiras que trabalhem na área e possam te fazer uma visita pós-parto domiciliar, ajudar com a correção da técnica e te apoiar

4) Saiba onde tem banco de leite na sua cidade, pois eles também fazem esse tipo de orientação de graça, é só ir até lá com seu bebê

5) Procure, se possível, ter o parto em uma maternidade com o selo de Hospital Amigo da Criança, iniciativa da OMS e ministério da saúde, onde geralmente tem uma boa orientação por parte dos profissionais de saúde e incentivo à amamentação, onde evita-se o uso de mamadeiras, chupetas e outros bicos artificiais, cujo uso também promove o desmame. Nesses locais costuma ter avaliação de fonoaudiologia para o bebê, com o teste da linguinha, que se alterado dificulta a amamentação

6) Leia e pesquise bastante sobre o assunto desde a gestação, seja em livros ou na internet. Canais do youtube como “Macetes de Mãe” e “Sintonia de mãe”, a página do facebook ‘Grupo Virtual de Amamentação – GVA’ e seu blog (grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com) contêm bastante informação

7) Pense o que você fará com o bebê quando voltar a trabalhar, para se programar quanto à amamentação. Deixará leite ordenhado? O bebê será levado até você parar mamar no meio do expediente? Você o visitará na creche para amamentar?

8) Evite comprar mamadeira, chupeta e outros bicos artificiais. Se você tiver em casa, vai se sentir mais tentada a oferecer e isso pode atrapalhar a amentação. Dê o peito quando o bebê solicitar

9) Peça sempre ajuda e discuta com todos da família seu desejo de amamentar. Não deixe o preconceito e a opinião negativa das pessoas abalar sua crença de que você é capaz

10) Saiba seus direitos: pode amamentar em público; você tem dois intervalos de meia hora na sua jornada de trabalho para amamentar ou ordenhar seu leite até o sexto mês de vida e licença maternidade de pelo menos cento e vinte dias

11) Amamente na primeira hora de vida do bebê – se o bebê nascer bem, peça que a equipe respeite a “golden hour” e deixe seu bebê no colo e mamando, deixando para depois a avaliação de peso, vacinas e etc

12) Organize sua casa: faça um cantinho confortável para amamentar, com uma poltrona gostosa, lugar para apoiar o pé, uma mesa lateral de apoio para colocar um livro, água, almofadas… Prepare também o quarto para a amamentação noturna: berço acoplado à sua cama para poder atender rapidamente ao bebê à noite sem precisar levantar, moisés ou carrinho ao lado da cama são medidas eficientes e que melhoram seu descanso e a amamentação noturna

Qualquer quantidade de leite materno é precioso. Ainda que seu bebê precise complementar com fórmula artificial, sempre ofereça o peito antes. Existem poucas contraindicações à amamentação, como uso de alguns medicamentos e doenças específicas, que caso seja seu caso, será falado no pré natal.

Mesmo que você tenha operado a mama (prótese, redução de mama, etc) é provável que você consiga amamentar. Tente ter bastante ajuda no primeiro mês com as atividades de casa, para que você esteja disponível para o bebê e o amamente em livre demanda, o que significa que o bebê provavelmente passará a maior parte do dia no peito e isso é normal e passa. Se você tiver febre, dor forte na mama ou vermelhidão na pele da mama, procure um médico para avaliar se não se trata da mastite. No caso de fissuras, aplique um pouco do próprio leite materno na área machucada e não deixe a mama encher demais, pois a dor piora. Amamente em livre demanda e ordenhe o excesso do leite, se necessário, mas não se prenda ao volume ordenhado, achando que é pouco e o bebê tem fome. O peito funciona como fábrica e maior parte do leite é produzido durante a sucção.

Acredite em vocês (mãe e bebê) e boa amamentação!

Dra. Carla Celestrino Arca

Médica formada pela UNICAMP (2008-2013)

Obstetra e Ginecologista formada pelo Hospital da Mulher CAISM UNICAMP (2014-2016)

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